
Em análise contundente, Canal Meio questiona a omissão dos homens em meio à onda de violência contra a mulher e propõe o fim do “lugar de cale-se” em favor de uma aliança ativa.
Diante da recente e brutal sequência de feminicídios que chocou o país, uma pergunta ecoa não apenas nas redes sociais, mas em toda a sociedade: onde estão os homens indignados?
Essa é a provocação central do novo vídeo publicado pelo Canal Meio, no programa “De Tédio a Gente Não Morre”. Em pouco mais de 10 minutos, a análise propõe um debate necessário sobre o papel masculino no enfrentamento à violência de gênero, tocando em feridas expostas que muitas vezes são ignoradas pelo pacto de silêncio entre os homens.
Do “Lugar de Fala” ao “Lugar de Cale-se”
O vídeo aborda um fenômeno curioso e preocupante: o silêncio dos homens travestido de respeito. A jornalista aponta que, ao longo da última década, o conceito de “lugar de fala” — fundamental para dar protagonismo às experiências femininas — acabou sendo distorcido por muitos homens como um “lugar de cale-se” (termo cunhado pela psicanalista Maria Rita Kehl).
O argumento é direto: muitos homens usam a justificativa de que “não é meu lugar de fala” para se omitirem do debate, lavando as mãos diante da violência. O vídeo alerta que, em uma cultura de violência, o silêncio não é neutralidade; é uma posição que beneficia o agressor.
“Diante de uma cultura de violência, silêncio é posição. E é posição a favor de quem agride.” — destaca o vídeo.
O Chamado para a Ação: O que é ser Aliado?
A matéria do Canal Meio desmonta a ideia de que ser aliado é apenas “não bater” ou “não matar”. O verdadeiro aliado é aquele que rompe a cumplicidade masculina. É o homem que:
Não ri de piadas machistas;
Intervém quando vê um amigo ou colega passando dos limites;
Não usa o silêncio como álibi;
Entende que uma sociedade segura para as mulheres é, necessariamente, uma sociedade melhor para os homens.
O vídeo faz um alerta perigoso sobre a omissão: enquanto o feminismo e a sociedade, por vezes, isolam os homens do debate, grupos extremistas e movimentos “Redpill” (que pregam a misoginia e a superioridade masculina) estão de braços abertos para acolher esses homens, oferecendo uma identidade baseada no ódio.
Por que assistir?
Para a Rede de Frente, que atua diariamente na articulação entre justiça, segurança e assistência para combater a violência doméstica, o vídeo serve como uma ferramenta pedagógica poderosa. Ele reforça que a luta pelo fim da violência não pode ser travada apenas pelas vítimas. É preciso que os homens saiam da posição de espectadores e entrem na roda da transformação.
Como o vídeo conclui, a pergunta “onde estão os homens?” não é uma acusação, mas um teste de presença. De que lado eles escolherão estar?
Assista à análise completa abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=H5sMX8tg1u4

A Rede de Frente reforça: se você presenciar qualquer ato de violência contra a mulher, não se cale. Denuncie. Ligue 180.